Cúpula dos Povos fala com secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon

23/06/2012

cupula dos povos

Principal espaço paralelo da sociedade civil na Rio+20 entra no documento ao secretário geral da ONU formalizando seu repúdio aos resultados da conferência

Nesta manhã, 22 de junho, o encontro do secretário geral da ONU, Ban Ki Moon, recebeu de 38 representantes dos diversos segmentos da sociedade civil mundial, uma cópia do documento “Declaração Final da Cúpula dos Povos: por Justiça Social e Ambiental, em Defesa dos Bens Comuns e Contra a Mercantilização da Vida”, que repudia os resultados alcançados nas negociações oficiais da Rio+20.

Durante o encontro, Iara Pietricovsky, do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), expressou o desencanto da Cúpula com o documento oficial. Nimmo Bassey, da Friends of Earth Nigeria, sintetizou a frustração da sociedade declarando que a ONU age hoje como “nós, as corporações”, em lugar de “nós, os povos”. A secretária-geral da Central Sindical Internacional (CSI), Sharan Burrow, por sua vez, apontou que os direitos dos trabalhadores foram ignorados no documento final e destacou: “Precisamos de empregos decentes e verdes”.

Marcos Apurina, da COIAB-Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira disse a Ban Ki Moon que o mundo está sangrando e que índios e quilombolas precisam ter suas terras reconhecidas.Ele pediu a Ban Ki Moon a garantia de que os países respeitem e implementem a convenção 169 da OIT quel assegura o direito das populações indígenas. E o representante da Via Campesina registrou a rejeição ao conceito de economia verde e ao mecanismo REDD, qualificados como “falsas soluções“, e conclamou o secretário a promover a revisão do documento resultante das negociações.

Ban Ki Moon parabenizou a Cúpula por ter escolhido uma agenda de temas e por pensar em campanhas após a Rio+20. Ele disse entender que a Cúpula usa uma linguagem distinta da linguagem dos negociadores do RioCentro, mas acredita que todos estão alinhados na aspiração por uma vida digna e prosperidade. E destacou como pontos fortes do documento O Futuro Que Queremos: a criação de um fórum de alto nível, o apoio político para buscar o acesso universal à energia e a meta de duplicar a eficiência energética até 2030.

Sobre mudanças climáticas, ele lembrou que há um fórum específico para tratar deste assunto. Sobre economia verde, o secretário geral da ONU afirmou que não se trata de uma nova ideologia, nem de uma visão única, mas sim de “uma ferramenta para o crescimento sustentável”.

Ban Ki Moon encerrou sua fala lembrando que em seu país de origem, a Coréia do Sul, meninos e meninas são educados para olhar para cima das nuvens – metáfora utilizada para simbolizar que ele compartilha da ambição de todos por avanços. E conclamou a sociedade civil a ajudar a definir como a economia verde pode promover a proteção social, a descarbonização do planeta, o pleno emprego verde e o trabalho decente.

Em um ponto, tanto ele como as organizações que participaram desse encontro estão de acordo: a participação da sociedade civil é importante. Lisa Gunn, coordenadora executiva do IDEC descreveu assim o encontro: “foi um diálogo pautado pela critica contundente à fraqueza do documento e também à forma como as negociações foram conduzidas: sem compromisso concreto por parte dos governos e dominadas pelas grandes corporações”.

Fonte: Cúpula dos Povos

Local: Rio Centro

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